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Remédios para enjôos no mar
A
cinetose é um conjunto de sinais e sintomas - notadamente enjôos,
vômitos e vertigem - ocasionados em pessoas sensíveis pelo movimento
do barco, carro, avião etc. Nessa situação ocorre uma nítida
confusão entre os órgãos da visão, labirinto e sistema
nervoso central, provocando na pessoa um erro de percepção, uma
alucinação de momento. Na cinetose estão envolvidas substâncias
chamadas receptores neurais, tais como dopamina, histamina, serotonina e acetilcolina,
entre outras. O aumento de uma ou de várias dessas substâncias
provoca irritação nas chamadas estruturas do vômito (cortex,
zona do gatilho) e equilíbrio (labirinto), gerando manifestações
da cinetose: aumento da salivação, palidez, suores frios e, claro,
náuseas, vômitos e vertigens. O tratamento reside no uso de medicamentos
que agem nos citados receptores, como a escopolamina (Racutan, Buscopan). Existe
um fármaco chamado Dimenidrinato (Dramin) que tem a ação
na diminuição da histamina e, portanto, melhora a cinetose. Todavia,
como a histamina também participa da transmissão nos neurônios,
seu inibidor, o Dramin, acaba provocando sonolência. Para piorar, ele
atua sobre a acetilcolina, podendo produzir, assim, os mesmos efeitos negativos
da escopolamina. Já a sinarizina (Stugeron) é um medicamento interessante:
interfere no relaxamento dos vasos sanguíneos e é utilizado como
vasodilatador e anti-hipertenso (de ação leve). Mas, tal como
o dimenidrinato e a escopolamina, também atua sobre a acetilcolina e
a histamina. Enfim, não existe um medicamento específico para
a cinetose, isso devido as propriedades farmacocinéticas desses remédios
estarem interligadas.
Devemos citar alguns fármacos que agem na dopamina, como a metoclopramida
(Plasil), a bromopida (Digesan) e a domperidona (Motilium). Nenhum deles é
usado com sucesso em casos de cinetose, pois não possuem ação
na vertigem. Apenas combatem os vômitos. Melhor dizendo: atuam no sistema
nervoso central e no centro do vômito, embora não atuem no labirinto.