Líderes sofreram para chegar a Salvador
Regata Transat 6.50
França-Brasil 2003
Os
barcos que competem na TRANSAT 6.50 tem apenas 6,5 metros e um sinalizador com
três botões que emitem sinais de rádio para os organizadores
em terra. O botão verde deve ser acionado periodicamente pelo velejador
para dar a posição atual e avisar que tudo corre bem, o amarelo
avisa que o velejador tem problemas ou dificuldades, e o vermelho significa
que o velejador necessita de socorro.
Na reta final da regata, já no litoral brasileiro, os velejadores que lideravam a regata enfrentaram os ventos e chuvas fortes trazidos do Sul com uma frente fria, e foram alguns dias de apreensão e muito trabalho para os organizadores no CENAB. Primeiro, o americano Jonathan McKee, na liderança avançada da prova, perdeu seu mastro perto de Fernando de Noronha, mas conseguiu chegar são e salvo a Recife, onde foi resgatado.
Por
sorte ou por azar, os velejadores não sabem a sua posição
perante os demais. O que só aumentou o sofrimento do francês Samuel
Manuard, que já estava na altura de Sauípe, na liderança
a cerca de 80 milhas da linha de chegada de Salvador, quando foi surpreendido
por uma tempestade que partiu o mastro do seu veleiro. Sinal vermelho e pedido
de socorro. Imediatamente o CENAB acionou a Marinha do Brasil e contratou um
vôo para verificar as condições do velejador. Ao chegar
ao local, Manuard, mesmo exausto, resistiu, não querendo abandonar o
barco. Nova estratégia foi acionada, mais 20 horas de tensão,
até que o francês foi resgatado pelos funcionários da Petrobrás,
em uma plataforma perto de Aracaju.
No sábado passado, o pânico tomou conta do francês Michel Mirabel, 53 anos, que liderava a categoria de série da TRANSAT 6.50. Exaurido, já na altura de Salvador, ele cochilou e encalhou nas pedras da praia de Amaralina, a pouquíssimas milhas da linha de chegada. Os franceses chegaram e deram o barco por perdido, consolando o frustrado e deprimido Mirabel, que foi descansar sob efeito de sedativos num hotel.
Mas
a equipe do CENAB não se deu por vencida e, reunindo do diretor ao auxiliar
de manutenção, mais a comunidade de pescadores, trabalhou sem
parar durante toda a madrugada. Salvaram o barco de Mirabel da destruição,
levando-o rebocado para a marina do CENAB às 11 horas de domingo. No
final da tarde, ao acordar, Mirabel foi encontrar-se com os demais velejadores,
e acabou surpreendido com o seu barco no píer. Ficou sem palavras e chorou
compulsivamente, de gratidão pelo salvamento do barco, e frustração
pela derrota, depois de navegar mais de 4.500 milhas.