INTRODUÇÃO

Caros amigos, estou de volta com mais um capítulo dos diários de bordo do veleiro Zimbros. Desta vez para descrever a viagem que fiz no mês de julho de Paranaguá até Cananéia, ida e volta, através de baias, canais e restingas conhecidos como Lagamar. A bordo, tive a inestimável colaboração de dois antigos companheiros de vela: Marco Porto e Joaquim Guimarães. Além deles, gostaria de agradecer a inestimável colaboração de três grandes navegadores do Iate de Paranaguá por suas preciosas informações: Jefferson Rizental do trawler Savannah, Denilson Fuchs do veleiro Zen e Rodney Miyakawa do veleiro Darumah. Bem-vindo a bordo, espero que você aprecie mais esta navegação.

DIÁRIO DE BORDO

Ao deixar Paranaguá através do mar da Cotinga no rumo sudeste, tem-se a impressão de estar entrando em outro mundo. À medida que os prédios da cidade somem pela popa, navegamos através de um largo canal formado pelas ilhas da Cotinga e Guaraguaçu. A profundidade é em torno dos cinco metros, mas é preciso estar atento aos baixios que avançam muitas vezes longe das margens. Em pouco tempo alcançamos a ponta do Maciel cuja profundidade aumenta consideravelmente. De lá, avistam-se as enormes plataformas que a Petrobrás constrói no pontal do Poço. Cruzamos o canal da Galheta que separa a ilha do Mel do continente. Dezenas de navios fundeados ao largo esperam sua vez no porto. Vagarosamente alcançamos a ponta da Coroazinha no extremo oeste da ilha do Mel. No local há uma pequena comunidade de pescadores, aparentemente vivendo em outro tempo. Uma praia, muitos pássaros, dezenas de golfinhos, parece que a ambição ainda não chegou por ali.

A baia de Paranaguá tem história. No século dezesseis a busca pelo ouro trouxe os primeiros migrantes. Nessa época nasceu o primeiro povoado do que viria a ser o futuro Paraná. Ficava na ilha da Cotinga, mas depois deslocou-se para as margens do atual Itiberê. A mineração foi o grande responsável pelo povoamento inicial de toda a região, levando à criação de outros centros como Antonina, Morretes, dentro da baia, e Curitiba, no planalto. A implantação da Real Casa de Fundição de Paranaguá atesta a importância da cidade para a coroa portuguesa. Com a descoberta do ouro em Minas a região viveu uma fase de triste decadência. Ao que parece não foi a última. Dessa época vêm as primeiras atividades agrícolas e a pecuária para abastecer as vilas e as áreas mineradoras. No século dezenove a exploração da erva-mate e da madeira voltaram a reerguer o porto, já que a navegação costeira era o melhor meio de transporte entre Paranaguá e o restante do país.

Com a maré enchente não demorou para alcançarmos a bóia que marca a entrada da baia dos Pinheiros, cinco milhas abaixo de Guaraqueçaba. Embora a boca do canal seja extensa, a passagem para veleiros é reduzida. Entramos a cerca de 50 metros à direita da bóia com uma profundidade menor que dois metros. Meu calado é de 1,70 metros, em certo momento senti a quilha do Zimbros tocar o lodo do fundo. Apesar da tensão, conseguimos prosseguir sem encalhes. Logo a seguir cruzamos a pequena vila de Guapicum, localizada na ilha das Peças, à direita do rio. O dia estava radiante, o inverno e o outono são as melhores épocas para se navegar, pois as previsões da meteorologia são bastante precisas. O calor do verão trás sempre o perigo das terríveis trovoadas e, pior, dos mosquitos. Mas o mais difícil mesmo independe das estações: são os bancos e baixios não cartografados que estão por toda parte. Tempestades e baixios já provocaram muitas baixas na baia, algumas delas famosas.

No Natal de 1887, dentro da Baía de Paranaguá, após zarpar de Guaraqueçaba carregado de madeira, o navegador Joshua Slocum, fustigado por uma tempestade que durou três dias, encalhou num banco de areia que destruiu seu veleiro, o Aquidneck, um clipper de 326 toneladas. Com o que sobrou do casco, umas poucas ferramentas e sem dinheiro, Slocum construiu, com enormes dificuldades, outro veleiro com 35 pés. Foi batizado Liberdade, por ter sido posto na água no dia 13 de maio de 1888, dia da abolição da escravatura em nosso país. Ele fazer o que fez em menos de seis meses é um feito admirável, mesmo para os dias de hoje. Em dezembro de 1888 Slocum e sua família aportavam em Washington. Eram tempos heróicos, dignos de um grande capitão, como ele viria a mostrar mais uma vez a bordo do Spray, quando completou a primeira circunavegação da terra em solitário. Em 1999, David Sinnet Jones e Mike Austin, ambos desenganados pelo câncer, chegaram ao Iate de Clube Paranaguá a bordo de uma réplica perfeita do Liberdade. Projeto de Bruce Roberts e construído pelo próprio David, que também havia perdido seu veleiro em um naufrágio...

Com quatro horas de navegação desde Paranaguá, chegamos finalmente à ilha do Pinheiro, onde pernoitamos. Localizada na baia dos Pinheiros é mais conhecida como ilha dos Papagaios, por ser abrigo de milhares de papagaios-de-cara- roxa. Ao entardecer de todos os dias, estas aves monogâmicas, sempre voando em casais, retornam em bandos para pernoitar na ilha. O alarido ensurdecedor que produzem é um espetáculo tão impressionante que é comum encontrar pesquisadores e amantes da natureza fundeados ao largo, apenas para apreciar a sua revoada. Mas apesar da sua beleza, ou exatamente por ela, este belo animal está ameaçado de extinção. As principais causas são o desmatamento, a extração de árvores e plantas utilizadas como alimento e abrigo pela espécie e sua captura clandestina para o comércio ilegal.


Um casal de papagaios-de-cara-roxa retorna para seu ninho


Pesquisadores e curiosos observam papagaios na ilha dos Papagaios

Amanheceu nublado, mas a medida que o sol esquentou a atmosfera, a neblina se desfez. Enquanto aguardávamos que a visibilidade melhorasse, tentamos garantir a próxima refeição com nosso novo equipamento de pesca. Mas o que nos sobrava em persistência, faltava em sorte, pois, apesar da generosidade da natureza, apenas bagres aventuraram-se no anzol. Como os peixes não queriam colaborar com nossa dieta, chamamos um pescador que jogava sua rede pelas redondezas e nosso destino mudou: o homem havia pegado um belo badejo com cerca de três quilos e aceitou negociá-lo conosco. Mais tarde abordamos outro pescador que nos abasteceu de ostras frescas. O almoço estava garantido.

Ao meio-dia a maré começou a subir. Levantamos âncora e partimos no rumo norte. Pelo do rádio, no canal 68, fiz contato com o Pedrinho do Canudal e o contratei para nos guiar através do Varadouro. A navegação pelos canais deve ser feita com muito cuidado, pois existe sempre a possibilidade de encalhar. As profundidades são baixas e é comum andar com menos que três metros abaixo do casco. E não existem referências facilmente identificáveis para nos guiar. É preciso alguém com muita experiência para achar o caminho certo. Mas o perigo dos baixios fica em segundo plano frente ao espetáculo da paisagem. O relevo da serra do Mar, a vegetação exuberante, o brilho das águas e do céu criam matizes de cores de tirar o fôlego de qualquer um. A medida que se adentra na baia dos Pinheiros, o canal fica mais estreito e raso. O risco de encalhar aumenta e não há como livrar-se de algumas pequenas paradas. Mas com a maré enchente, em poucos minutos nos safamos sem problemas.


Nosso guia: Pedrinho do Canudal


Baia dos Pinheiros: beleza de tirar o fôlego

Navegamos através do Parque Nacional Superagüi, que em tupi-guarani significa "Rainha dos Peixes". A região era habitada pelos índios tupi-guaranis e carijós na época da colonização. Posteriormente, com a ocupação do homem branco, estas populações foram extintas. A história da navegação na ilha do Superagüi remonta à era das grandes navegações do início do século dezesseis. Europeus degredados da expedição de Duarte Coelho e Américo Vespúcio teriam chegado com ajuda dos indígenas em suas pequenas embarcações. Em 1545 o alemão Hans Staden naufragou nos arredores de Superagüi, onde já encontrou colonos portugueses.

No século dezenove instalou-se na região uma pequena colônia formada por suíços, italianos, alemães e franceses. Ainda é possível encontrar em certas comunidades nas ilhas, alguns descendentes de William Michaud, pintor suíço que ali viveu até sua morte em 1902. Na década de 1950, para facilitar a navegação entre os estados de São Paulo e Paraná, foi aberto o Canal do Varadouro, transformando Superagüi em uma ilha artificial. A obra interligou as baías de Paranaguá e de Cananéia. Com a nova via fluvial, nasceu uma linha regular de passageiros e cargas entre Paranaguá e Iguape que, infelizmente, durou até o final dos anos 80, quando foi suspensa sob alegação de que era inviável economicamente. Sou da opinião que, se houvesse das autoridades mais empenho em desenvolver a região, sobretudo com o turismo, esta ligação deveria ser restabelecida.

No meio da tarde o calor do sol encorajou um breve mergulho nas águas limpas do canal. Nos trechos construídos artificialmente a largura do curso é de apenas 40 metros. Eventualmente cruzamos com alguns pescadores em sua lenta rotina. Em ambas as margens, por entre as raízes dos manguezais, podíamos apreciar pássaros de muitas espécies. A região exuberante abriga outros animais ameaçados de extinção como o mico-leão-da-cara-preta. Acolhe também espécies migratórias como o maçarico. Outros bichos vivem nas ilhas como o jacaré-de-papo-amarelo, o macaco sauá, o mono-carvoeiro, além de pacas, cutias, porcos-do-mato, onças pardas, veados e cobras como a jararaca e a coral. A riqueza se complementa com aves como o biguá, a fragata, a garça-branca-grande, o tiê-sangue, o tucano, sabiás, entre outras espécies marinhas. A vegetação conta com inúmeras variedades, dentre elas orquídeas, bromélias, palmeiras e jerivás. A restinga por onde o Zimbros seguia placidamente exige respeito, pois integra o Complexo Estuarino Lagunar de Iguape-Cananéia-Paranaguá. Conhecido como Lagamar, este conjunto é apontado pela ONU como um dos mais importantes ecossistemas costeiros do planeta Terra. Toda a faixa de Mata Atlântica foi reconhecida como Sítio do Patrimônio Natural da Humanidade.


O Canal do Varadouro: raras embarcações no caminho


Um casa de garças oberva nossa passagem do alto de uma árvore.

Ao entardecer, depois de cerca de seis horas de navegação, finalmente jogamos âncora frente à vila do Marujá. Em pouco tempo escureceu e a tripulação pode concentrar-se nos preparativos do jantar. E não decepcionamos: saboreamos um delicioso badejo ao forno, temperado com vinho branco e finas ervas. Nosso espírito também foi temperado com o que restou de um chardonay inesquecível. Tarde da noite, pelo rádio, ouvimos um pedido de ajuda. Vinha de uma embarcação que encalhara próximo ao Marujá. Aparentemente eles abusaram da sorte ao navegar à noite apenas com a ajuda de um gps. E pior, na maré vazante. Dentre a tripulação havia a equipe de um programa de televisão a cabo, Pesca & Prosa. Passamos alguns recados dos pobres marinheiros pelo telefone, mas nada mais podíamos fazer - eles teriam que dormir sobre os baixios do canal e aguardar a próxima maré. Não eram os primeiros nem os últimos a serem enganados pelas águas. Ouvimos a história de um veleiro, um Tonner de 25 pés, que encalhou na vazante depois do período da lua cheia, quando as marés são cada dia menos intensas, e permaneceu preso por cerca de um mês, até a próxima maré de lua.

Amanheceu frio e nublado. Frente à pequena vila podíamos ouvir o inquieto barulho dos motores dos barcos que seguiam para pescar. Tanto o Marujá como o Ariri, são centros bem movimentados de turismo pesqueiro. A maioria vem de São Paulo. Próximos á nós, dentre as brumas, identificamos o barco dos nossos desafortunados amigos. Era um belo trawler com duas lanchas de apoio. Após o café, recebemos a visita de um dos tripulantes que nos convidou para conhecer seu barco. Fomos a bordo. Todos estavam bem e ao que parece os contratempos da madrugada não alteraram o bom humor da tropa. Nem sua disposição para o trabalho: rapidamente uma equipe de televisão veio a bordo do Zimbros para fazer uma matéria sobre nós. Caso você queira assistir ao programa, basta clicar www.pescaeprosa.com.br e conferir os horários e os canais disponíveis.

Não demorou e nossos companheiros seguiram seu rumo. Nós, ainda sob um resto de neblina, desembarcamos para reconhecer o terreno. O Marujá está localizado na restinga de Ararapira, na ilha do Cardoso. Com florestas exuberantes, rios, cachoeiras, restingas, manguezais e sambaquis é a área mais significativa do Lagamar. Faz parte do Parque Estadual Ilha do Cardoso. Pelo que vi, a implantação do parque não agradou as comunidades locais pelas restrições ao modo de vida tradicional dos caiçaras residentes. As limitações ambientais e as dificuldades causadas pelo isolamento levaram muitos moradores a migrar para outras vilas ou municípios vizinhos. Contudo é possível ver que a grande vocação daquele espaço é mesmo o turismo ecológico. Marujá possui uma pequena estrutura para abrigar turistas e uma linha de transporte fluvial regular desde Cananéia.

Infelizmente não nos demoramos no Marujá. A maré enchente marcou nossa hora de partir. De lá a navegação pelo canal de Ararapira é mais segura, pois é largo e profundo. Basta seguir o lado de fora das curvas do rio, onde a correnteza é mais forte e consequentemente o assoreamento por resíduos que flutuam na água é menor. Novamente fomos contemplados por uma vista espetacular, pois navegamos entre os picos do Cardoso e da serra de Itapanhapima. As águas calmas do canal, cercadas de montanhas cobertas de densa vegetação, formam um paisagem paradisíaca única e insuperável. É de admirar-se com tanta beleza, bem ao lado da nossa casa.


O canal de Arapira e o relevo da serra do Mar.


Raízes típicas de manguezais circundam todos os canais do Lagamar

Ao entrarmos na baia de Cananéia, uma fina neblina caiu sobre nós. O frio aumentou e a visibilidade diminuiu. O espaço ficou amplo e as referências para navegação praticamente desapareceram. Seguíamos pelo chart-plotter sem muita definição e, talvez com o mais importante instrumento a bordo: o ecobatímetro. Cada vez que a profundidade chegava a menos de 2,5 metros, diminuíamos a marcha do motor para evitar grandes encalhes. Às vezes tínhamos que navegar em ziguezague na busca pela calha mais profunda. Eventualmente cruzávamos com pequenas lanchas de alumínio na direção de Cananéia, mas não era possível saber a localização exata do canal. A uma milha a noroeste da barra de Cananéia, dentro da baia, existe um terrível baixio não demarcado nas cartas. A navegação deve ser feita o mais próximo possível das margens da ilha Comprida. A partir de então, já era possível ver, entre brumas e o lusco-fusco do entardecer, as primeiras luzes de Cananéia. Às seis da tarde, finalmente estacionamos a contra bordo do posto náutico, localizado ao norte do centro.

A baia de Cananéia foi uma das primeiras regiões ocupadas pelos portugueses na nova colônia. A riqueza das regiões costeiras repleta de madeiras nobres, ouro e pedras preciosas levaram os conquistadores a estabelecer postos de fortificação e feitorias a fim de garantir a exploração dos recursos naturais. Como parte de uma esquadra para garantir a posse do território, em 1531 aportou na região o legendário Martin Afonso de Souza. Ancorou seus navios em Bom Abrigo e explorou as ilhas próximas. A grande surpresa do explorador foi descobrir que na região moravam vários mestiços e castelhanos, dentre os quais o famoso Bacharel de Cananéia, que o ajudou na aproximação com os nativos. Sabe-se que o homem, um degredado da corte portuguesa, tinha seu próprio exército e vivia na fartura, cercado de belas mulheres. Tudo indica que foi o primeiro gringo a se dar bem nesta nossa terra brasilis.

Mas isto é passado, hoje a cidade é um pequeno centro bem movimentado, principalmente de turistas que vêm de São Paulo em busca de suas paisagens de cinema. Há bons restaurantes, bares e hotéis à disposição dos visitantes. E não está longe, são 250 quilômetros de Curitiba, por asfalto. Ou quinze horas desde Paranaguá de veleiro. Nossa parada estava perfeita, fomos atendidos com muita hospitalidade pelos funcionários do posto que puseram a nossa disposição todos os confortos de que dispunham. Pela manhã, reabastecemos a adega, a despensa e os tanques de água e combustível e, pouco depois do meio-dia, partimos rumo à temerária barra.


Cananéia: barcos de pesca repousam em águas tranqüilas

Rapidamente chegamos ao lugar em que o Lagamar respira no Atlântico suas águas, sua vida. Encostamos em um pequeno barco de passeios turísticos e tomamos as derradeiras informações sobre a saída. O dia estava tranqüilo, sem vento, nem ondas. Mesmo assim era possível ver ao longe as arrebentações em ambos os lados do canal da barra. A sua profundidade fica entre quatro e cinco metros e existem duas bóias de sinalização bem visíveis na saída. Contudo, soubemos que algumas vezes estas marcas são arrastadas pela força do mar e do vento, portanto, não são muito confiáveis. Eu recomendo a demanda desta barra com tempo bom e de dia, preferencialmente. Existem muitos barcos de pesca em ambos os sentidos e é sempre possível pegar carona na esteira de um deles. Quando pensávamos estar safos, a cerca de duas milhas da costa, a profundidade chegou aos três metros e a tensão subiu alguns graus a bordo. Mas não foi nada de grave, pois logo em seguida alcançamos os sete metros e redirecionamos nosso rumo para a ilha de Bom Abrigo, bem ao lado.

Não nos demoramos no abrigo da ilha. Às 16h30min nos pusemos no caminho de volta. Às oito da noite, passamos pelo través do Marujá. Pudemos reconhecê-lo pelas luzes da cidade e dos fogos de artifício da Festa da Tainha que acontecia justo naquele final de semana. Navegávamos no rumo 240º a três milhas de distancia da costa, com dez metros de profundidade. À proa, a ilha do Mel nos aguardava a 25 milhas de distancia. Pra variar o farol das Encantadas estava apagado. A noite estava tranqüila, sem nuvens, algumas estrelas e temperatura de 19ºC. Pouco depois, deixamos a ilha da Figueira por bombordo. Ao nos aproximarmos do canal norte da baia de Paranaguá, sobre o banco dos Ciganos a profundidade chegou a 3,5 metros. Na realidade, a costa nesta região é bastante assoreada em frente às barras que fluem do Lagamar. Paranaguá, Superagüi, Ararapira, Cananéia e Iguape são pulmões que vazam no mar um fluxo perpétuo de sedimentos.

Pouco depois da meia-noite jogamos âncora na barra do rio das Peças, justo ao lado da pequena vila de pescadores. Foram seis horas de mar aberto para voltar atrás os três dias de navegação pelos canais do Lagamar. Mas o maior retorno parece ter sido no tempo - navegamos em um mundo que praticamente não mudou desde a chegada do primeiro estrangeiro, e cuja riqueza conseguiu permanecer intocada. Um lugar que o relógio parou e a natureza exuberante soube acolher e alimentar com generosidade todos seus exploradores.


O Zimbros volta com vento de popa na baia de Paranaguá

Acesse o site abaixo e veja todas as fotos do Lagamar:
http://veleirozimbros.nafoto.net/

ROTEIRO DE VIAGEM

Caso você se habilite a conhecer as águas do Lagamar, aqui vão algumas dicas importantes. Em primeiro lugar é preciso sempre navegar com a maré enchente, para ajudar no caso de encalhes. Dê preferência às épocas de lua crescente. A velocidade do barco deve ser lenta, pois além de ajudar a contemplar a natureza, previne encalhes. Dentro da baia dos Pinheiros é recomendada a companhia de um guia local. Se ganha tempo e evita contratempos com a busca do rumo correto. Pelo canal 68 é possível contatar alguém. O Ciro do “Inná Dois” está sempre disponível e é uma ajuda importante.

Aqui estão alguns way-points para servir de referência à navegação. Lembre-se que são marcas cuja imprecisão pode chegar até a 50 metros. Servem apenas de orientação e não devem ser demandadas à noite, sobretudo os pontos referentes à barra de Cananéia. Fique longe da barra com tempo ruim e mar virado. As observações devem ser lidas para quem segue no sentido de Paranaguá a Cananéia.

Nº latitude longitude observação

01 - S 25º22’46,0” N 48º19’44,2” - passar 50 metros à direita da bóia

02 - S 25º22’24,1” N 48º19’03,2” - vila de Guapicum

03 - S 25º21’05,5” N 48º18’09,0”

04 - S 25º21’05,3” N 48º17’43,8” - encostar bem na margem direita

05 - S 25º20’15,2” N 48º17’31,5” - estaca de ferro

06 - S 25º20’22,2” N 48º16’27,8” - vila de Tibicanga

07 - S 25º18’59,7” N 48º12’26,2” - ponta do Canudal

08 - S 25º18’36,2” N 48º11’48,6”

09 - S 25º18’23,2” N 48º11’35,6”

10 - S 25º18’03,5” N 48º11’29,9”

11 - S 25º17’44,5” N 48º11’08,5” - à bombordo da ilha

12 - S 25º17’19,0” N 48º09’53,5” - à direita no canal

13 - S 25º17’23,7” N 48º09’18,5” - vila Fátima

14 - S 25º17’23,8” N 48º08’17,0” - baixio, coqueiro na margem direita

15 - S 25º16’57,8” N 48º07’57,8” - baixio à esquerda, seguir pelo centro

16 - S 25º15’45,7” N 48º06’51,8” - baixio, seguir pelo centro

17 - S 25º14’24,8” N 48º04’15,7” - baixio, seguir bem à direita no canal

18 - S 25º14’02,4” N 48º03’27,1” - pegar o canal da esquerda

19 - S 25º13’07,0” N 48º02’19,5” - vila do Ariri

20 - S 25º12’36,3” N 47º59’47,3” - vila do Marujá

21 - S 25º00’26,5” N 47º55’21,0” - posto náutico em Cananéia

22 - S 25º02’46,0” N 47º54’56,0” - baixio à esquerda

23 - S 25º03’16,7” N 47º54’32,3” - dentro da baia

24 - S 25º03’23,7” N 47º53’13,5” - través da ponta

25 - S 25º03’41,2” N 47º52’47,2” - bóia verde

26 - S 25º04’14,5” N 47º51’39,1” - bóia

27 - S 25º04’38,4” N 47º50”28,4” - profundidade 7 metros

28 - S 25º07’30,0” N 47º51’15,0” - ilha do Bom Abrigo